sábado, 24 de abril de 2010

Pensava que era

Sempre fez o que teve vontade, nunca se importou com o certo e o errado, justamente porque fazia mais errado. Não se importou com os outros, trancafiado num egoísmo solído. Mas era feliz. Ou pensava que era.

Era conhecido por todos, mas não conhecia a amizade. Era desejado por muitas, mas não era amado. Vivia pelo mundo, mas sempre acabava sozinho em seu quarto. Mas era feliz. Ou pensava que era.

Certo dia, ele acordou e olhou-se no espelho. Claramente, ele havia envelhecido. Deixou-se cair, nessa confusão de arrependimentos, dúvidas e sentidos. Sua vida inteira passando sobre os seus olhos, e ele sem conhecer a felicidade, vivendo no estereótipo. Caido, deixou-se chorar, perdido. Chorou pela primeira vez, e pela primeira vez, demonstrou ter dentro de si, um coração. Não era feliz. Mas pensava que era.

sábado, 10 de abril de 2010

A little bit of Beatles

A verdade sobre as lágrimas:

Teoricamente


Estranho seria se fosse diferente.
Se eu não tivesse chorado, gritado,
sorrido, vivido!
Se fosse diferente seria estranho.

sexta-feira, 26 de março de 2010

O Ataque das Regras


Impuseram-me as regras. Impus-lhes minha resistência. Embora não adiantasse lutar contra o que eles pregavam em prol do meu individual. Pelo menos, era como eu pensava. Me sentia tão protegida, imersa em verdades e mentiras. E eles vêm e me impõem as regras. O ataque das regras. Dos limites e das limitações. Pois eu me defendo: procuro
as excessões. Não é o que dizem? Que toda regra tem sua excessão? Pois se pra toda regra há uma excessão, eu contemplo a ideia de que a excessão às regras é o viver. Viver na histeria, viver na insanidade, viver na plenitude, viver na despretensão, viver no transbordar da vida. Viver no viver de uma vida sem regras. Pois na morada das regras, eu sou a excessão.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Saudade de Estimação


Nossa velha conhecida. Por mais leve, mais breve, mais simples que seja, se mantêm. "Que dor é essa, a da saudade?" quis saber.
"Não sei. O que eu sei é que acostuma-se com ela. Acostuma-se com a falta, pelo menos é assim que devia ser."
"E se a saudade tiver um sorriso encantador?" perguntou.
"Deixe-se encantar, deixe-a sorrir e mais, retribua com o seu melhor sorriso. Domine-a e transforme-a em viver" respondeu-lhe sutilmente.
"Tudo passa" lembrou-se. "E o que vem depois?"
"Só queria sentir que ainda dá tempo de eu ser pra sempre. Cansei de morrer na vida das pessoas." respondeu.
"Você é louco?"
Como resposta, o silêncio invadiu a sala.
Foi assim antes, durante e depois.

quarta-feira, 24 de março de 2010

La nuit des Masques


Já é tarde, sempre é tarde.
Talvez não tão tarde para os que não escutam o passar dos ponteiros no relógio, avisando prontamente o que não se quer ouvir: sim, já é tarde.
Está escuro la fora. Quem se importa? Eles não se importam, sempre preferiram a noite. Calma, plena, escura.
E tudo isso é só uma constatação.
Comecemos do início: la nuit des masques. Ou a noite das máscaras.
Imagine Paris. Agora imagine a noite em Paris. Mais, imagine máscaras.
Douradas, vermelhas, pretas, douradas, douradas.
Máscaras e cores e luzes e poésie e musique e Paris. Infundidas na noite.
"É tarde, é tarde" avisou ele. "Temos o mundo, mas não temos tempo" respondeu ela. E a oniponência noturna não parece mais atingí-los.
Absorveram a escuridão e foram apprécier la nuit, la nuit des masques.